Com Bolsonaro na Presidência, cresce a desconfiança nas Forças Armadas

 

Em quatro anos, número de pessoas que não confiam nos militares passou de 21% para 29%

Nos anos de governo Jair Bolsonaro, os brasileiros passaram a desconfiar menos de instituições como partidos políticos, Congresso e STF (Supremo Tribunal Federal). Em compensação, a imagem das Forças Armadas nunca esteve tão arranhada.

É o que mostra a pesquisa de opinião pública anual “A Cara da Democracia”, feita pelo Instituto da Democracia (IDDC-INCT) e divulgada nesta segunda-feira (4) no jornal O Globo. Ano a ano, cresce o número de pessoas que não confiam nos militares – a pesquisa só deixou de ser realizada em 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19 no Brasil.

Em 2018, apenas 21% dos brasileiros não confiavam nas Forças Armadas. Com Bolsonaro na Presidência da República, o índice foi crescendo – para 24% em 2019, 26% em 2021 e, finalmente, 29% em 2022. Já o percentual dos que dizem “confiar muito” nas três Forças (Exército, Marinha e Aeronáutica) caiu, em quatro anos, de 31% para 25%.

Em situação inversa, outras instituições viram sua credibilidade crescer nos últimos anos. Os ataques sofridos por essas instituições – muitos deles baseados em fake news (notícias falsas) – multiplicara-se sob a gestão Bolsonaro. Mas a própria resistência ao bolsonarismo parece ter influenciado a opinião pública.

A falta de confiança nos partidos políticos, por exemplo, estava em 78% em 2018, no auge da Lava Jato. O índice regrediu, nas pesquisas seguintes, para 71% (2019), 68% (2021) e 53% (2022).

Mesmo o Congresso e o STF – que tiveram altos e baixos nos últimos anos – sairão de 2022 com descrédito menor. A falta de confiança no parlamento brasileiro era de 58% em 2018, mas agora está em 46%. Com o Supremo, a desconfiança vinha em alta até 2021. No último ano, porém, esse percentual passou de 43% para 37%.

A pesquisa foi realizada de 4 a 16 de junho, em 201 cidades, de todas as regiões brasileiras. Foram ouvidos, presencialmente, 2.538 eleitores. A margem de erro é de 1,9 ponto percentual.

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